"Você pode constatar, não tem polícia aqui", diz o engenheiro aposentado Rodrigue Lissade, 72, acampado fora da casa semidestruída, com um rifle ao lado. "Só pensam em Porto Príncipe, mas aqui tudo foi destruído e não vem ninguém."
A 50 km de Porto Príncipe, Leogane, de 50 mil habitantes, é uma das várias pequenas cidades a oeste da capital arrasadas, que incluem Petit-Goave e Jacmel --esta o principal destino turístico do Haiti, quando o país ainda recebia alguns visitantes em férias.
Corredores humanitários
A ONU (Organização das Nações Unidas) quer estabelecer dois corredores humanitários ligando Porto Príncipe com o norte do Haiti e com a República Dominicana, para melhorar a distribuição de ajuda às vítimas do terremoto que devastou a capital haitiana na semana passada.
"Serão estabelecidos dois corredores humanitários, um com o norte do país e outro com a República Dominicana", disse hoje o subsecretário-geral adjunto da ONU para as operações de paz, Alain Leroy.
Segundo ele, para que esses dois corredores humanitários possam acelerar a distribuição da ajuda são necessárias mais forças de segurança.
"Precisamos de tropas para garantir esses corredores humanitários", explicou Leroy, pouco depois de o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pedir ao Conselho de Segurança que ampliasse temporariamente em 3.500 homens a presença militar e policial da missão de estabilização para o Haiti (Minustah).
No momento, o aeroporto da capital do Haiti, que tem apenas uma pista, está sob controle americano, a pedido do governo do presidente René Préval, e está recebendo cerca de cem aeronaves por dia. Antes do terremoto, havia entre 30 e 35 voos diários.
O terremoto de magnitude 7 aconteceu às 17h53 (19h53 em Brasília) da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe.

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