
olaboração para a Folha Online
A OMS (Organização Mundial da Saúde) disse nesta terça-feira que a gripe suína poderia evoluir para uma "pandemia leve" e advertiu os governos para que tomem medidas de precaução. O termo pandemia é utilizado pela organização para descrever a ocorrência de uma doença grave simultaneamente em muitos países. Há casos confirmados da gripe suína em sete países de quatro continentes, todos aparentemente relacionados aos casos da doença no México, único país em que foram registradas mortes ligadas ao vírus.
Segundo autoridades mexicanas, 22 pessoas morreram no país de gripe suína, mas o número de mortes suspeitas chega a 152, e há 1.995 casos. Há 64 casos confirmados em cinco Estados nos Estados Unidos, seis no Canadá, dois no Reino Unido, dois na Espanha, dois em Israel e três na Nova Zelândia, além de casos suspeitos em 11 outros países. No Brasil, 20 pessoas são monitoradas com sintomas da doença, mas não há casos confirmados.
O vírus é transmitido como o de uma gripe comum, de pessoa para pessoa, e até agora as autoridades de saúde registraram que os antigripais Relenza e Tamiflu são eficientes contra a infecção. Embora tenha tido origem provável em porcos, não há risco de contrair a doença pela ingestão de carne de porco, porque a temperatura de cozimento (acima de 70°C) mata o vírus.
A OMS, que nesta segunda-feira passou para o nível quatro o alerta de pandemia que vai até seis, advertiu que não é possível impedir a propagação do vírus com restrições de viagens como as que foram determinadas por vários países em relação ao México, porque a doença já está presente em várias partes do mundo. Apesar de prever que uma epidemia de gripe suína "leve", o diretor-geral adjunto para segurança sanitária da OMS lembrou que a gripe de 1918, que matou dezenas de milhões de pessoas, começou da mesma forma.
"É perfeitamente possível [...] que nós vejamos uma pandemia muito leve. Essa seria a melhor de todas as situações, esta situação atual parar e simplesmente desaparecer", disse Keiji Fukuda, informando que não há casos de resistência do vírus da gripe suína aos antigripais Relenza e Tamiflu. "Penso que temos de estar atentos respeitar o fato de que a gripe se desenvolve de uma maneira que não podemos prever".
"A pior pandemia do século 20 ocorreu [...] em 1918 e também começou como uma pandemia relativamente leve, que não foi muito sentida na maioria dos lugares. Depois, no outono, [ela] se transformou em uma epidemia muito grave, um dos episódios mais graves já registrados de doenças infecciosas."
Fukuda, um especialista americano em gripe, disse que não há nenhuma explicação conclusiva sobre a aparente gravidade maior dos casos registrados no México. Ele disse que a OMS mantém o nível de alarme pandêmico na fase quatro, pois ainda não existe verificação de que tenha havido contágio do vírus entre estudantes de uma escola de Nova York, e que alunos que não estiveram no México tenham se infectado.
A mudança no nível do alarme ocorrerá somente se for confirmado que a transmissão de pessoa a pessoa tornou-se estável em uma comunidade ou em uma cidade --ou seja, que haja pessoas infectadas que não "importaram" o vírus do México, onde surgiu o foco--, então se passará à fase cinco, já crítica, pois implica em um risco iminente de pandemia.
O porta-voz da OMS, Gregory Hartl, disse em Genebra que a maioria dos casos de infecção pelo vírus da gripe suína que foram identificados em pessoas que viajaram ao México recentemente, mas que a fonte de alguns casos nos EUA, na Grã Bretanha e no Canadá não estava clara.
EUA
Nos EUA, autoridades de Indiana divulgaram a confirmação de um novo caso de gripe suína, o que elevaria para seis o número de Estados em que a doença foi registrada no país. Até então, o CDC (Centros de Controle de Doenças) havia confirmado 64 casos --45 em Nova York, dez na Califórnia, seis no Texas, dois no Kansas e um em Ohio.
Richard Besser, diretor em exercício do CDC, disse que, à medida que o número de casos aumenta, é mais provável que o país registre alguma morte pela gripe suína. "Eu realmente espero que nós veremos mortes dessa infecção", disse Besser, no anúncio sobre o aumento do número de casos.
O governador Arnold Schwarzenegger decretou nesta terça-feira estado de emergência na Califórnia devido à ameaça de epidemia de gripe suína. Apesar do anúncio, as autoridades da Califórnia disseram que não existe, por enquanto, "nenhum motivo sério de preocupação".
"Apesar de não existir, por enquanto, nenhum motivo sério de preocupação, a prioridade do governador é limitar a propagação da gripe suína, e esta ação representa uma nova etapa para reforçar as capacidades de reação da Califórnia", finalizam os assessores de Schwarzenegger no comunicado.
Além disso, as autoridades estão investigando duas mortes suspeitas constatadas recentemente na região de Los Angeles.
Análises estão em andamento para determinar as causas da morte de duas pessoas, uma em 22 de abril em Norwalk, 25 km ao sudeste de Los Angeles, e a outra segunda-feira em Bellflower, a poucos quilômetros dali, informou Ed Winter, porta-voz do instituto médico-legal do condado de Los Angeles. O condado de Los Angeles, que cobre 10.500 km², é o mais povoado do país, com mais de 10 milhões de habitantes.
As duas pessoas mortas, homens de 45 e 33 anos, apresentavam sintomas correspondentes aos da gripe. As análises devem determinar se as vítimas foram infectadas pela cepa do vírus da gripe suína, cujo epicentro se encontra no México.
Se estas duas mortes forem, de fato, ligados a este vírus, serão as primeiras registradas nos Estados Unidos desde o surgimento da epidemia. As autoridades do México disseram que a gripe suína pode ter matado 152 pessoas em todo o país.
Algumas escolas foram fechadas nos cinco Estados em que foram registrados casos da gripe suína dos EUA --Nova York, Texas, Califórnia, Carolina do Sul, Connecticut e Ohio.
México
Em entrevista coletiva, o prefeito de Cidade do México, Marcelo Ebrard, anunciou que entrou em contato com uma empresa suíça considerada, segundo ele, "a melhor do mundo em desenvolvimento e pesquisa do genoma", para poder combater o vírus em melhores condições.
"Ontem, houve sete mortes nos hospitais do governo da cidade, e com isso o acumulado chega a 22", afirmou o secretário de Saúde da capital, Armando Ahued.
Há 1.995 pessoas com suspeita de ter contraído a gripe suína no México, o país mais atingido pela infecção. O número de mortes que podem estar relacionadas à doença pode chegar a 152, incluídas as 22 mortes confirmadamente relacionadas ao vírus.
Na Cidade do México, máscaras cirúrgicas estão sendo distribuídas à população e eventos públicos foram cancelados. As aulas foram suspensas em todo o país até o próximo dia 6 de maio e o presidente Felipe Calderós assumiu poderes emergenciais para isolar pessoas infectadas.
O ministro da Saúde da Nova Zelândia, Tony Ryall, disse nesta terça-feira que testes realizados em um laboratório da OMS na Austrália confirmaram três casos de gripe suína no país. Foram examinados dez estudantes e um professor de uma escola da cidade de Auckland que estavam apresentando sintomas da gripe suína depois de chegarem, no sábado, de um voo vindo do México.
Os 11 estão sendo tratados com o antiviral Tamiflu e ficaram em quarentena voluntária desde que os sintomas começaram a se manifestar, no sábado, informou o governo.
O ministro disse que havia mais 43 casos suspeitos no país, e que mais testes estavam sendo realizados. Todos tinham viajado recentemente para fora do país.
Com Reuters, Associated Press, France Presse e Efe











