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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Lula abre hoje Fórum Econômico da América Latina


CÁSSIO AOQUI
PATRÍCIA TRUDES DA VEIGA
da Folha de S.Paulo, no Rio

A versão latino-americana do Fórum Econômico Mundial reúne hoje e amanhã mais de 500 acadêmicos, empresários e políticos de 37 países no Rio de Janeiro. Às 11h, no InterContinental Hotel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre o evento, que terá a crise econômica global como centro das discussões. Lula falará sobre as "Implicações da Crise Econômica Global para a América Latina".

Ao final da cerimônia de abertura, Lula e o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, certificarão mais quatro empreendedores sociais eleitos pela Fundação Schwab em 2008 na América Latina. Entre eles, o advogado André Cavalcanti de Albuquerque, 42, vencedor do concurso brasileiro, que tem a Folha de S.Paulo como parceira exclusiva e é recordista mundial de inscrições --no ano passado, foram 345 candidatos de 24 Estados, mais o Distrito Federal.

"A reunião acontece num momento crucial para a América Latina. Depois da recente cúpula do G20, em Londres, o evento será uma oportunidade para os participantes debaterem como devem ser as respostas da região à crise econômica global", diz Emilio Lozoya, diretor do Fórum Econômico Mundial para a América Latina.

O fórum latino-americano é co-presidido por Jim Goodnight, executivo-chefe da SAS Institute; Lord Levene, presidente do Lloyd's do Reino Unido; Marcelo Bahia Odebrecht, executivo-chefe da Odebrecht Brasil; Ricardo Villela Marino, executivo-chefe para América Latina do Itaú Unibanco; e Timothy P. Flynn, presidente da KPMG Internacional.

Também estarão presentes alguns dos principais executivos brasileiros, como o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo; o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga Neto e o presidente do conselho de administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan.

Entre os membros de governo brasileiro, participam o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral; os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente), Dilma Rousseff (Casa Civil), José Gomes Temporão (Saúde) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social); o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

As discussões serão divididas em cinco partes: "Respondendo de Forma Proativa à Desaceleração Econômica", "Construindo Relações entre Regiões", "Integração para Construir um Futuro Melhor", "Políticas Públicas para Crescimento Sustentável" e "Desafios e Oportunidades para um Ciclo de Desenvolvimento Verde".

Conheça os 4 novos integrantes da rede Schwab

Andre Cavalcanti de Albuquerque, Terra Nova - Brasil

12,4 milhões de brasileiros vivem em 3,2 milhões de domicílios informais no Brasil. São moradias precárias, a maioria situada em favelas, sem acesso a serviços públicos essenciais, como água, saneamento básico e energia. Para amenizar essa situação caótica, André Albuquerque fundou, em 2001, a Terra Nova, empresa social comprometida com a baixa renda para regularização sustentável de propriedades ocupadas ilegalmente em áreas urbanas. É a primeira organização do país a realizar regularizações fundiárias sustentáveis no âmbito privado. Antes dela, apenas os órgãos do governo atuavam na questão, de maneira pouco eficiente. Sua ideia é capitalizar quem não tem capital. Quando o ocupante vira dono, pode ter acesso a financiamentos bancários. A comunidade, legalizada, passa a ter direito a melhorias como asfaltar e sanear ruas. André também inova na questão das realocações e reassentamentos no entorno da hidrelétrica do Rio Madeira (RO). É primeira vez na história do Brasil que uma empresa social participa do planejamento e da negociação para remanejar famílias atingidas pela construção de uma hidrelétrica, de modo a preservar sua história, costumes e cultura. Mais de 30 mil famílias já foram diretamente beneficiadas pela Terra Nova.

Marta Arango, Cinde - Colômbia

As crianças que vivem na pobreza têm poucas oportunidades de desenvolver suas competências intelectuais, emocionais e físicas antes de entrarem no sistema de ensino público, aos 6 anos de idade. As economistas do Consenso de Copenhague verificaram que cada dólar investido no desenvolvimento da primeira infância traz um retorno de até 20 vezes na forma de saúde melhor, menos óbitos e aumento de ganhos futuros, fazendo disso o "melhor investimento do mundo" em desenvolvimento. Marta Arango esteve dentre as pioneiras quando fundou a Cinde, em 1977, revolucionando a atenção à primeira infância e educação. Sua organização tem um enfoque abrangente, que visa os principais envolvidos no desenvolvimento infantil, atraindo principalmente famílias, comunidades e instituições, ao oferecer um ambiente para um desenvolvimento físico e psicológico saudável. A metodologia da Cinde foi adaptada em 27 países, influenciando positivamente mais de 10 milhões de famílias.

Martín von Hildebrand, Gaia Amazonas (FGA) - Colômbia

A região amazônica representa 45% da floresta tropical no mundo. Trata-se da terceira maior fonte de água doce do mundo, sendo um fator crucial na regulação do clima global. Atualmente, o desmatamento da região amazônica é a quarta maior fonte de emissões de dióxido de carbono globalmente. O desmatamento está acontecendo de forma rápida e descontrolada. A FGA vem assegurando a proteção de 40 milhões de hectares da floresta amazônica na Colômbia, com a criação de áreas protegidas, autogeridas por seus habitante nativos, que são aqueles que melhor conseguem garantir a preservação da floresta. A FGA é um facilitador ativo para auxiliar as comunidades nativas a assumir e defender os direitos fundiários, conservar seus territórios e fortalecer suas práticas e tecnologias tradicionais, ao mesmo tempo em que as ajuda a conceber seus próprios programas de saúde e educação. A entidade conta atualmente com mais de 20 mil pessoas ou 50% da população colombiana nativa, tendo ainda compartilhamento desse método com organizações da região amazônica nos países vizinhos, por meio da rede ARA. A FGA está agora elaborando um plano em nível internacional para remuneração dos habitantes da floresta tropical por seus serviços ambientais.

Veronica Abud, Fundación La Fuente - Chile

A importância de livros adequados às diferentes idades para o desenvolvimento educacional de uma criança é há muito tempo conhecida. A ideia de Veronica Abud foi muito além de doar livros: as crianças precisavam de um plano integral que as convidasse à leitura. A Fundación La Fuente, um organização com dez anos de existência, desenvolveu um programa de leitura chamado "A Construção dos Leitores do Futuro". O programa cria bibliotecas escolares, públicas e móveis voltadas às crianças e à comunidade e treina professores e bibliotecários das escolas para que ofereçam atividades de leitura estimulantes, inclusive com contadores de história e atividades culturais. La Fuente firmou também uma parceria com a maior rede de shopping centers do Chile para a criação de bibliotecas atraentes (Biblioteca VIVA), hoje presentes em seis shopping centers. Em parceria com um banco internacional, La Fuente criou um programa educacional de finanças, ensinando às crianças os benefícios de poupar, como abrir uma conta bancária e administrar seu próprio orçamento. Com a "Bibliomóviles", pequenas bibliotecas móveis, a empreendedora social consegue atingir as populações rurais remotas do Chile. A fundação alcança perto de 1 milhão de crianças no país.

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