da Folha Online
Atualizado em 31/12/2009 às 00h53.
Um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) enviado ao Suriname pelo governo do Brasil chegou a Belém (PA) às 21h30 (22h30 em Brasília) com 31 brasileiros que deixaram a região onde "maroons" -- surinameses descendentes de quilombolas-- atacaram garimpeiros na noite de quinta-feira (24), segundo informações da FAB.
O Hércules C-130 decolou de Paramaribo às 19h05 (20h05 em Brasília) desta quarta-feira (30). Inicialmente as autoridades informaram que o número de brasileiros que seriam repatriados era de 33. Mas, segundo informações da FAB, duas pessoas desistiram e não embarcaram. Chegaram ao Brasil 21 homens, nove mulheres e uma criança. Anteriormente o Itamaraty havia informado que apenas uma pessoas não havia embarcado.
O avião viajou equipado com uma UTI móvel, médicos, enfermeiros e auxiliares. Entre os tripulantes, três estavam feridos em estado estável e foram encaminhados para hospitais de Belém.
Segundo o Itamaraty, o avião trouxe ao Brasil os aqueles que manifestaram interesse em deixar o Suriname, entre eles três feridos em situação estável. Todos estavam na cidade de Albina quando os ataques aconteceram e fugiram sem documentos, por isso receberam uma autorização de retorno concedida pela Embaixada do Brasil no Suriname.
O Ministério de Relações Exteriores informou que todos receberam da embaixada um par de calçados, uma muda de roupa e cem dólares, dinheiro que pode ser utilizado para ajudar os brasileiros a se locomoverem de Belém para as próprias cidades.
Um primeiro voo trouxera de volta cinco pessoas, mas devido à baixa procura de brasileiros interessados em retornar, não há previsão de novos envios de aeronaves. Segundo diplomatas, em geral, os brasileiros resistem em deixar o Suriname mesmo depois do confronto em Albina.
Retirados de Albina, por questão de segurança, eles estão abrigados em hotéis de Paramaribo --Confort, Esmeralda, Nobre e Perola-- com despesas pagas pelo governo do Brasil. Outros estão em casas de amigos, na mesma região.
Nesta quarta-feira, a Embaixada do Brasil em Paramaribo divulgou uma lista com nomes de 124 brasileiros que estavam na região de Albina, no dia do crime.
Uma das principais dificuldades do MRE é que a maioria dos cerca de 15 mil brasileiros que estão no Suriname é ilegal e não dispõe de documentação.
Conforme testemunhas, descendentes de quilombolas surinameses atacaram cerca de 200 brasileiros e outros estrangeiros --como chineses e javaneses-- que viviam na região de Albina, na noite de Natal. A maioria das vítimas é ligada ao garimpo ilegal. Os "marrons" estavam revoltados com a morte de um surinamês, atribuída a um brasileiro. Pelo menos 25 ficaram feridos no ataque. Houve também agressões físicas, estupros e depredações.
Nesta terça-feira (29), o MRE confirmou que brasileiras foram estupradas durante o ataque em Albina. O total de mulheres violentadas está entre dez e 20 e inclui estrangeiras, conforme o ministério.
Não há registro oficial de mortes, e o governo brasileiro pede cautela na definição sobre um número de desaparecidos.
O padre José Virgílio da Silva, que dirige a rádio Katólica e deu assistência aos brasileiros vítimas do ataque, afirmou que há pelo menos sete desaparecidos --inclusive brasileiros. De acordo com relatos de brasileiros que moram no Suriname, quilombolas surinameses teriam matado e jogado os corpos das vítimas nos rios e matas da região.
Nesta terça-feira, o MRE esclareceu que não nega a existência de desaparecidos, mas ressaltou que é comum, para aqueles que vivem na região de Albina e trabalham em garimpos no interior do Suriname e da Guiana Francesa, passar "semanas na floresta", sem comunicação. "Por esse motivo, é necessário aguardar antes de considerar 'desaparecido' qualquer desses cidadãos", afirmou o MRE, em comunicado.


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