Afetada pela crise, a indústria paulista deve fechar o ano com queda de cerca de 8,5% na atividade, segundo o diretor da Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos), Paulo Francini.
A recuperação, porém, deve vir já nos próximos meses e fazer com que a produção termine 2010 em forte expansão.
Francini afirmou que a atividade deve voltar aos níveis pré-crise entre março e junho de 2010 e chegar a um crescimento de 13,5% ao final do próximo ano.
"Se a atividade se mantiver constante em níveis de dezembro de 2009, teremos uma expansão de 9,3%, mas se tivermos uma taxa de crescimento de 0,6% ao mês, como antes da crise, esse número deve chegar a 13,5%", afirmou. "Mas não nos enganemos, porque parte desse crescimento forte é recuperação do que foi perdido".
A Fiesp divulgou nesta quinta-feira que o INA (Índice do Nível de Atividade) cresceu 1,6% em outubro, mas ainda acul=mula queda de 11,2% nos últimos 12 meses.
Francini afirmou que nos dois últimos meses do ano, a atividade deve ter forte crescimento, já que terá como base meses de produção fraca em 2008 --o quarto trimestre de 2008 foi um dos mais afetados pela crise.
Esse crescimento ao final deste ano fará com que a queda no nível de atividade em 12 meses seja reduzida para "algo em torno de 8% a 8,5%".
"Temos um excelente ritmo de recuperação, mas a velocidade dela vai desacelerar em algum momento. É evidente que nós não podemos manter um crescimento de 1,5% ao mês, o que daria 20% em 12 meses", afirmou Francini.
Apesar disso, o diretor afirmou que as perspectivas para o setor são muito boas. Ele ressaltou, no entanto, que o câmbio continua sendo uma grande preocupação. "Temos um horizonte límpido na indústria, a não ser pela 'nuvenzinha' do câmbio", afirmou.
Francini afirmou ainda que a Fiesp é favorável à taxação do IOF sobre capital estrangeiro já que, eficiente ou não, a medida é uma sinalização de que o câmbio é uma preocupação.
"O primeiro passo para resolver um problema é aceitar que ele existe".

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