O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira que Israel suspenda seu bloqueio à faixa de Gaza, dizendo que se o país tivesse atendido ao apelo internacional para tal medida, o ataque à frota que levava ajuda humanitária não teria ocorrido.

"Se o governo israelense tivesse atendido aos chamados internacionais e ao urgente pedido para suspender o bloqueio a Gaza, isso não teria acontecido", disse Ban à Reuters em Campala, capital de Uganda, na terça-feira.

Nesta terça-feira, Israel deteve ou deportou centenas de ativistas que estavam no comboio com ajuda humanitária, que tinha o apoio da Turquia, e que foi interceptado na segunda-feira. O Conselho de Segurança da ONU pediu uma investigação "imediata e digna de crédito" sobre a operação, que deixou ao menos nove mortos.

Ban afirmou também que Israel precisa liberar os detidos e enviar a ajuda humanitária para Gaza, ressaltando que ele mesmo acompanha as negociações sobre o assunto com uma equipe da ONU no local.

Israel impôs o bloqueio a fim de enfraquecer o movimento radical islâmico Hamas, que tomou o controle da faixa territorial na costa do Mediterrâneo em 2007.

O Exército de Israel atacou na madrugada desta segunda-feira o comboio organizado pela ONG Free Gaza, um grupo de seis navios, liderados por uma embarcação turca, que transportava mais de 750 pessoas e 10 mil toneladas de ajuda humanitária para a faixa de Gaza, deixando ao menos dez mortos e cerca de 30 feridos.

O grupo tentava furar o bloqueio de Israel à entrega de mercadorias aos palestinos. De acordo com a imprensa turca o ataque ocorreu em águas internacionais, mas as forças de defesa de Israel mantêm que as embarcações tinham invadido seu território.

De acordo com a rede de TV NBC, entre os ativistas que estavam nos navios, 11 eram americanos, entre eles um ex-embaixador e antigo funcionário do Departamento de Estado.

Brasileira

Divulgação
A cineasta brasileira Iara Lee, que estava no comboio atacado em  israel
A cineasta brasileira Iara Lee, que estava no comboio atacado em israel

O Encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil em Israel esteve hoje, às 9h em horário local israelense (3h da manhã no Brasil), com a cineasta Iara Lee, afirmou em comunicado o Itamaraty. Ela está na prisão de El'A, em Be'er Sheva, após ser detida em um dos navios que tentavam furar o bloqueio naval rumo a Gaza.

Ela está bem de saúde e confirmou dispor, na prisão, de alimentos e vestimentas adequadas. Por meio do telefone celular do Encarregado de Negócios da Embaixada do Brasil, telefonou para membros de sua família e deixou recado para a irmã, que vive em Nova York.

O governo brasileiro continua em contato permanente com as autoridades israelenses, instando-as a que libertem incondicionalmente a brasileira, como de resto exige a própria Declaração da Presidência do Conselho de Segurança da ONU, aprovada ontem.

Iara Lee é uma produtora e cineasta brasileira de ascendência coreana radicada nos EUA, e ex-mulher do cineasta Leon Cakoff. Entre suas obras estão os documentários "Synthetic Pleasures" (1995), que trata do impacto da alta tecnologia sobre a cultura de massas, e "Modulations" (1998), sobre música eletrônica.

Críticas de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta terça-feira o ataque de Israel contra um comboio liderado por uma embarcação da Turquia que levava ajuda a Gaza, que matou ao menos dez, e voltou a defender o diálogo para se alcançar a paz no Oriente Médio.

"Existem milhões e milhões de razões para a gente construir a paz, mas não existe uma única razão para a gente construir a guerra", disse Lula em discurso durante visita à fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo.

"Eu sinceramente estou convencido que não é o uso de arma que vai garantir a paz, e sim muito diálogo e muito investimento em comida para acabar com a fome nos países mais pobres do mundo. Acho que os dirigentes [de vários países] precisam aprender a dialogar mais".

"Eu conversei com [o ministro de Relações Exteriores] Celso Amorim, e as informações que se têm é que foi um ataque feito em águas internacionais, portanto, Israel não tinha o direito de ter feito o que fez. Mas vamos esperar que haja melhores investigações", disse Lula.