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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Islândia fecha aeroportos pela primeira vez por causa de seu vulcão

Colaboração para a Folha
da Reuters

A Islândia, que pôde manter seus aeroportos operando enquanto a maior parte da Europa teve de fechar aeroportos e espaço aéreo devido às cinzas vulcânicas de uma erupção islandesa, deve fechar seu espaço aéreo nesta sexta-feira devido a uma mudança da direção dos ventos, disseram autoridades nesta quinta-feira.

A erupção do vulcão sob a geleira Eyjafjallajokull, a cerca de 120 quilômetros ao sudeste da capital islandesa, Reykjavik, causou seis dias de caos aéreo pela Europa ao espalhar sua fumaça e cinzas vulcânicas pelo ar. O vulcão continua em atividade estável, sem sinais de novas erupções.

Depois da paralisação de mais de 100 mil voos em mais de 300 aeroportos da Europa, o tráfego aéreo europeu volta ao normal nesta quinta-feira, segundo a Organização Europeia de Navegação Aérea (Eurocontrol).

Ironicamente, a Islândia não tinha sido afetada pela fumaça do vulcão, já que os ventos mantiveram a fumaça fora da ilha.

"Tendo em vista a previsão de dispersão da fumaça para esta sexta-feira, 23 de abril, pode ser esperado que a zona de voo para os aeroportos de Keflavik e Reykjavid seja fechada por um certo período", disse a autoridade de aviação em comunicado.

"É a primeira vez que a zona aérea em volta dos dois aeroportos internacionais da Islândia serão fechados desde o começo da erupção", disse, referindo-se a uma primeira erupção em março, que precedeu a erupção atual e maior.

O website do aeroporto de Keflavik, principal aeroporto internacional servindo Reykjavik, mostrava uma série de voos sendo cancelados nesta sexta-feira, bem como vários voos sendo mencionados até as 5h GMT (2h em Brasília), antes da restrição de voos, prevista para as 6h GMT (3h em Brasília).

Vulcão

"O Eyjafköll continua em erupção, com leve aumento, mas sem sinais visíveis", disse à AFP o especialista Steinunn Jakobsdottir, da Universidade de Reykjavik.

As previsões indicam que, ao longo do dia, haverá precipitações de cinzas apenas nas áreas próximas ao vulcão, e que essa situação se manterá nos próximos dias.

Também se mantém estável o nível de água dos rios que nascem na geleira e cujas altas obrigaram na semana passada a duas retiradas com urgência da população local.

As observações dos últimos dias confirmam a passagem a uma nova fase da erupção do vulcão, com menor interação do magma com o gelo e portanto menos água derretida, mas não se detectou ainda lava fluente. Segundo as últimas observações dos cientistas islandeses, a atividade no vulcão se reduziu apenas em uma de suas três crateras.

Especialistas calculam que a força de erupção caiu a 20% de sua quantidade máxima, uma quarta parte da que alcançou no sábado passado. No entanto, eles ressaltaram que isto não indica necessariamente que a extinção total da atividade seja imediata.

Prejuízos

As companhias aéreas perderam até agora cerca de US$ 1,7 bilhões [R$ 2,9 bilhões] devido às restrições impostas pelas autoridades aeronáuticas por causa da nuvem de cinzas gerada pela erupção vulcânica na Islândia, informou hoje Giovanni Bisignani, diretor-geral da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata).

"Os cancelamentos de voos custaram até agora às companhias aéreas mais de US$ 1,7 bilhões e, o que é pior, a crise impactou em 29% da aviação oficial e afetou 1,2 milhão de passageiros", disse Bisignani.

Segundo ele, "a crise ofusca à do 11 de Setembro (de 2001) quando o espaço aéreo americano esteve fechado durante três dias" por causa dos atentados terroristas de então.

Bisignani disse esperar que, dessa situação, se tirasse a conclusão de que é necessário unificar o espaço aéreo europeu e que haja, além disso, o convencimento de que a aviação deve ter um lugar mais importante na agenda política internacional.

"O caos e as perdas econômicas da semana passada são um claro apelo aos líderes europeus para unificar de forma urgente o espaço aéreo europeu", ressaltou o diretor-geral da Iata.

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