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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Anúncio de acordo com Irã deve ser divulgado na segunda-feira

Colaboração para a Folha

O anúncio formal do acordo alcançado entre Irã, Brasil e Turquia sobre o programa nuclear iraniano deve ser feito nesta segunda-feira, após revisões finais da proposta pelos presidentes do Brasil e do Irã e pelo primeiro-ministro turco, afirmou neste domingo o ministro de Relações Exteriores da Turquia, segundo a agência de notícias turca Anatolia.

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O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, disse neste domingo que Irã, Turquia e Brasil chegaram a um consenso sobre a troca de combustíveis nucleares iranianos, decisão que pode por fim ao impasse entre o Ocidente e o Irã sobre seu programa nuclear.

Quando questionado por jornalistas em Teerã se haveria mesmo um acordo, o chanceler turco respondeu: "Sim, isso foi alcançado após quase 18 horas de negociações". Detalhes sobre o acordo não foram divulgados imediatamente por autoridades brasileiras e turcas que estão mediando o caso.

Os presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, falaram neste domingo em entrevista coletiva sobre o interesse de incrementar as relações comerciais entre seus países. Porém, eles não tocaram na questão nuclear, ponto central do encontro, como já havia acontecido mais cedo, na nota oficial divulgada no site do governo iraniano.

Os EUA e alguns de seus aliados acusam o Irã de desenvolver um programa nuclear com fins militares, mas Teerã defende que a finalidade é pacífica e se recusa a negociar. Os EUA pressionam por uma quarta rodada de sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o país do Oriente Médio.

Segundo o site da TV iraniana Alallam, os chanceleres de Irã, Turquia e Brasil mantiveram um encontro trilateral neste domingo para discutir, entre outros assuntos, a troca de urânio iraniano.

O porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, tinha dito que Teerã chegou a um acordo sobre a quantidade de urânio a ser trocada e a modalidade da troca --simultaneamente ou em lotes--, informa a Alallam. "Há um acordo sobre o momento e o volume de combustível a ser trocado", disse ele. "Mas ainda falta decidir o local e, se houver garantias concretas, o Irã está disposto a negociar."

Premiê turco

Burhan Ozbilici/AP - 10.jun.08
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, embarcou para  Teerã
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, embarcou para Teerã

Mais cedo, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, voou para Teerã para juntar-se ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que estava negociando com autoridades iranianas, em um movimento que autoridades ocidentais e russas classificaram como provavelmente a última chance de evitar novas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Irã.

"Estou indo ao Irã porque uma cláusula será acrescentada ao acordo que diz que a troca será feita na Turquia", disse o premiê mais cedo.

"Teremos a oportunidade de começar o processo em relação à troca", disse Erdogan. "Eu garanto que encontraremos a oportunidade para superar esses problemas, se Deus quiser."

Proposta

A proposta de Brasil e Turquia era pressionar os líderes iranianos a rever uma proposta sob a qual o Irã enviaria urânio baixamente enriquecido a outro país e, em retorno, receberia urânio altamente enriquecido -- um plano que fracassou em outubro do ano passado.

Um acordo apresentado pela ONU em outubro oferecia ao Irã que enviasse 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento --o suficiente para a fabricação de uma bomba se enriquecido no patamar necessário-- para a França e para a Rússia, onde seria convertido em combustível para um reator de pesquisas em Teerã.

O Irã afirmou na época que só trocaria o seu material por urânio em níveis maiores de enriquecimento e somente no seu próprio território, condições que as outras partes envolvidas no acordo consideraram inaceitáveis.

O acordo foi interrompido na época. O Brasil e a Turquia, ambos membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), ofereceram-se para mediar as negociações e tentar convencer o Irã a rever a oferta.

Os Estados Unidos e países aliados estão em negociação para impor uma quarta rodada de sanções da ONU ao Irã. Washington acusa Teerã de tentar ganhar tempo ao aceitar a proposta de mediação de Lula.

O Brasil já apresentou uma proposta segundo a qual o Irã trocaria urânio pouco enriquecido por combustível nuclear na Turquia, país que tem estreitos laços tanto com Ocidente como com o Oriente Médio. O Irã enviaria urânio ao exterior e o receberia de volta enriquecido a 20%, nível suficiente para fins pacíficos.

Segundo a imprensa iraniana, Ahmadinejad tinha dito que aceitava "em princípio" a proposta de Lula durante uma conversa telefônica com o líder venezuelano, Hugo Chávez.

Roda de apostas

Durante visita oficial à Rússia, em entrevista concedida no Kremlin, Lula disse que há 99% de chances conquistar um acordo com o Irã durante sua passagem pelo país. Ao seu lado, o presidente russo, Dmitri Medvedev, não foi tão otimista: afirmou que as chances são de 30%.

Sergei Chirikov/Efe - 14.mai.10
O presidente Lula ao lado do colega russo Dmitri Medvedev; para  Lula, há 99% de chances de acordo co Irã; para Medvedev, 30%
O presidente Lula ao lado do colega russo Dmitri Medvedev; para Lula, há 99% de chances de acordo co Irã; para Medvedev, 30%

"Se não chegarmos a um acordo, volto para casa feliz, porque ao menos não fui negligente", disse o presidente.

Considerado um carismático negociador, Lula conta com o apoio da França, Turquia e da Rússia, ainda que comedido, mas os EUA já advertiram que o Irã não leva o encontro a "sério".

Para a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, Lula enfrenta uma "montanha a ser escalada" para tentar persuadir o Irã a limitar suas ambições nucleares.

"Eu disse a meus colegas em muitas capitais do mundo que eu acredito que não teremos nenhuma resposta séria dos iranianos até que o Conselho de Segurança aja", disse ela, referindo-se aos esforços liderados pelos EUA para a imposição de uma quarta rodada de sanções da ONU contra o Irã.

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, P.J. Crowley, disse que se o Irã não mudar seu comportamento após a visita de Lula, o país deverá pagar o preço.

"Neste ponto acreditamos que deverá haver consequências por um fracasso em responder", disse Crowley.

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