da Folha Online
O presidente americano, Barack Obama, afirmou nesta quarta-feira que "não há crise" nas relações entre Estados Unidos e Israel, apesar das divergências que se tornaram públicas nos últimos dias sobre a construção de 1.600 novos assentamentos em Jerusalém Oriental.
Obama respondeu "não" ao ser questionado pela rede de TV americana Fox News sobre se havia uma crise entre os dois aliados, depois de Israel anunciar a construção das novas casas na região, durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, ao país.
"Israel é um de nossos aliados mais próximos, e nós [americanos] e o povo israelense temos uma ligação especial, que não irá terminar", disse Obama na etrevista ao jornalista Bret Baier.
"Mas amigos discordam algumas vezes", acrescentou o líder dos EUA, em referência à controvérsia.
Na entrevista, Obama disse também que havia enviado Biden à região em um momento em que os EUA tentavam reavivar o diálogo israelo-palestino. "Eu enviei o vice-presidente para levar uma mensagem de apoio e demonstrar que acredito na importância da segurança de Israel, e que temos muitos interesses em comum", afirmou.
"Há divergências a respeito da forma como esse processo de paz deve ser levado à frente. As ações tomadas pelo ministro do Interior israelense [que anunciou a aprovação da construção das 1.600 novas casas] não ajudam no processo. O premiê [Benjamin] Netanyahu admitiu isso, tanto é que ele pediu desculpas", disse Obama.
Ele afirmou ainda que "tanto israelenses quanto palestinos" têm responsabilidade para evitar a estagnação no processo de paz no Oriente Médio.
Crise
Ontem, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que Israel "deve demonstrar seu compromisso" com o processo de paz, mas também negou que haja uma crise. Logo após o anúncio, na semana passada, Hillary telefonou para Netanyahu, com quem conversou por cerca de 43 minutos, repreendendo a medida duramente.
Em resposta às declarações de Hillary, o primeiro-ministro israelense afirmou que Israel já demonstrou "com palavras e fatos" seu compromisso com a paz.
A secretária de Estado e Netanyahu estarão em Washington a partir do próximo final de semana, quando ambos devem participar da reunião anual do "lobby" pró-israelense americano, Aipac (American Israel Public Affairs Commitee).
Dias antes, o embaixador de Israel nos EUA, Michael Oren, havia dito em um encontro com diplomatas que as relações entre ambos os países atravessam a pior crise nos últimos 35 anos, segundo o "Haaretz".
Irã
Na entrevista à Fox News, Obama disse ainda que se o Irã conseguir obter armas nucleares, corre-se o risco de uma corrida nuclear no Oriente Médio, algo que sua administração quer evitar. Por isso, segundo o líder dos EUA, impedir que Teerã consiga tais armas é uma das "principais prioridades" de seu governo.
Questionado por Baier se um Irã nuclear representaria um fracasso para sua administração, Obama enfatizou os esforços dos EUA e de parceiros internacionais para isolar o país.
O Irã acelerou seu programa nuclear, apesar da condenação internacional e de sanções da ONU.
Os EUA e seus aliados defendem a imposição de uma nova rodada de sanções para forçar Teerã a negociar. O Brasil rejeita tal medida e defende o diálogo com o país persa.
com agências internacionais

0 comentários:
Postar um comentário